segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Essa saudade

Se sentir saudade, permita-se ser cafona.

Sofrer pela perda de alguém é daquelas coisas que músicas, poesias, crônicas e histórias de ficção sempre descrevem como uma dor maior que o próprio corpo, insustentável. Não é, mas talvez seja melhor tratá-la como se fosse.

Se a perda é temporária, a dor logo se mistura com a ânsia quase infantil de ter outra vez por perto a quem se ama. A dor é substituída pela espera paciente, a qual é alimentada pelo desejo de recobrar a felicidade perdida. Dia após dia o sofrimento diminui, à medida que se aproxima a hora de ter novamente por perto o alvo do afeto.

Se a perda é definitiva, é só quando a pessoa se cansa de sofrer que o conformismo se faz possível. Se for colocado algo ou alguém no lugar vazio que fica, aí sim o sofrimento se esvai mais rapidamente. Mas para que o corpo fique exausto e seja possível reorganizar a vida para levá-la adiante, é preciso chorar muito.

Sofrer com todo o esplendor do pathos romântico faz parte do processo de superação. Por mais que pareça ridículo, infantil ou dramático, é só assim que a dor passa. É necessário sofrer para que a esperança seja alimentada pelo desejo de reencontrar o que foi perdido. É necessário sofrer para que sobrevenha o cansaço que a tristeza causa e, só assim, as mangas sejam arregaçadas e as mãos postas em outro trabalho ou pessoa, tanto ou mais prazerosa que a perdida.

Portanto, quando sentirem saudade, sofram. Ouçam músicas com as letras mais explícitas sobre sentir falta de alguém, cantem junto, encharquem a boca com as lágrimas que escorrerem, mas por favor, sejam o mais cafona que puderem.



"Eu sinto sua falta, meu amor
A dor é tão fria como um longo adeus
e sem você há um vazio dentro de mim"
(Laura Pausini - In Assenza Di Te)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O que se dobra é mais difícil de romper.

Difícil é ter maleabilidade quando se está ao lado de matéria extremamente rígida.
Mal sabem as pessoas que rigidez demais as torna mais facilmente quebráveis.
Leis da física também valem para seres humanos, aparentemente...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

BEM PESADO

Corpo pesado
Inveja a alma
A alma voa
O corpo afunda
O corpo tem amarras
A alma tem asas
Corpo e alma divergem
Alma e corpo se espantam
Corpo e alma se repelem
Alma e corpo se unem
Naquele exato momento
Em que compartilham
Uma dor

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Foi uma grande burrada criar um blog para escrever sobre como me sinto, o que penso etc. O motivo: falar dos meus sentimentos e pensamentos (ou pelo menos daqueles que, no momento, eu gostaria de desabafar) tem me criado confusão. Muita gente lendo e se sentindo ofendida. Sem contar aquelas coisas que nem para o meu terapeuta eu tenho coragem de admitir; um pouco de Rose-Do-Titanic-O-Coração-De-Uma-Mulher-É-Um-Oceano-Cheio-De-Segredos me fará bem. Este blog estará, pelo menos por enquanto, sem atualizações, ok? Não sofram, apenas fiquem aliviados por eu dar um tempo na divulgação dos meus textos.

Quando voltar a escrever, vou passar a escrever sobre moda, deve ser mais simples, putaqueoscaralho.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vejo sorrisos onde eles não existem, qual é o meu problema, doutor?

Já escrevi, meio por alto, algo sobre minha infância cheia de fantasias (neste texto AQUI). Quase todas as fantasias daquela época já se foram e, com o passar das décadas, novas fantasias "surgiram" para ocupar o espaço e para tornar mais leve a dureza da vida real.

Hoje eu vi uma foto que um amigo (Dudu) publicou numa rede social. Uma foto absurdamente prosaica: o retrato de um componente de computador, com circuitos integrados e marcas de solda e fios elétricos. Rotacionando mentalmente a foto, visualizei um sorriso. A humanização do inumano, a beleza da prosa, a poesia no inanimado.

:)
Chamaram-me de otimista. Enxergar sorrisos entre cabos eletrônicos ou otimismo ou senso estético ou fantasia. Tudo faz parte da estratégia humana para sobreviver à dureza do cotidiano.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Memoirs de um viajante

O plano original era uma viagem a dois. Começou por uma brincadeira, encontramos uma super promoção de passagens e depois fomos ver para quais destinos se aplicava. E depois de compradas as passagens, veio a lembrança de que a viagem coincidiria com o 2º aniversário do namoro. Lua de mel em Buenos Aires.

Buenos Aires. Ah sim, essa terra que tanto amei todas as vezes que fui.

Cada ida a BUE foi uma experiência diferente; diferentes visões e diferentes ações, gerando diferentes memórias e sentimentos.

A primeira ida foi de carro: quase 2.000km, quatro pessoas. Problemas com o seguro do carro na travessia pela fronteira, atraso de mais de duas horas para ser liberado pela imigração. A foto debaixo da bandeira argentina, ostentando o passaporte carimbado com o primeiro visto (desnecessário, entra-se na Argentina apenas com a Identidade brasileira). A estrada, as paisagens, o chaco, a ponte em Paso de Los Libres/Uruguaiana, "Regionales Maria", la más grande tienda de artículos regionales de Argentina, o bife de chorizo em Concordia (até hoje é o melhor que já comi em todas as viagens), a Autopista Panamericana entre Zárate e a Capital Federal (velocidade máxima de 130km/h e eu acelerando o que podia o meu popular 1.0, para aproveitar que eu simplesmente podia correr)... o trânsito em BUE, as dores de cabeça das discussões entre os quatro viajantes, a Noche de Año Nuevo na Praça Manuel Dorrego, os passeios de trem e barco pelo Delta do Tigre e a balsa até Colonia del Sacramento (Uruguai). Teve sabor de descoberta, de novidade.

A segunda ida foi com ex-colegas de trabalho. 24h de ônibus, a maneira mais em conta de chegar em BUE. O café da manhã servido no ônibus, o jantar em Posadas (com direito a vinhos, champagne e demais bebidas, tudo incluso no preço da viagem). A volta das Madres de la Plaza de Mayo, emocionantes senhoras que pedem justiça pelos seus filhos mortos pela ditadura, o congresso que deveríamos ter ido (risos), a Marcha del Orgullo LGBT. A semana inteira tomando apenas cerveja, a desidratação (mais risos), a manteiga de cacau para curar as rachaduras no lábio em vez de tomar água (muitos mais risos). Martín... Christián... Maurício...

A terceira ida foi sozinho, de ônibus novamente. Fui para acertar os ponteiros com uno de los chicos acima mencionados. Íamos nos casar, já que Buenos Aires foi a primeira cidade da América Latina a regulamentar o casamento homoafetivo. Conheci a casa em que moraríamos, a família dele. Passeamos por San Isidro e Acasuso, destinos românticos populares da capital. Era primavera, a cidade estava repleta de flores. Mas no fim, acabou não dando certo; as mensagens de saudade e carinho sumiram, el chico desapareceu.

A quarta vez foi agora, este mês quase no fim. Era para ser uma espécie de lua de mel. Uma briga, pouco mais de um mês antes da viagem, pôs fim à viagem a dois. Pôs fim ao relacionamento, também. Viajei sozinho, outra vez. Agora, com a tristeza da solidão e do desafio de pensar sobre a vida, sobre mim mesmo, quem eu sou e para onde quero ir. Os novos amigos e amigas, feitos nas noites de vinho no hostel. Os passeios à pé, com o vento frio do inverno, cortando a pele, gelando os pulmões. Os sinos do campanário da Legislatura, repicando La Cumparsita ao meio-dia. As lágrimas de emoção ao ver os porteños dançando como podem para sobreviver às crises econômicas e políticas que os assolam há décadas. O museu do Cabildo de Buenos Aires, contando a história (talvez exagerada) de heroísmo da independência das Américas do colonialismo europeu.

Descoberta, diversão, romance e auto-conhecimento. Espero que a sensibilidade nunca me abandone. Espero que as lágrimas sempre me voltem aos olhos ao ver a lua crescente aparecer no céu no primeiro dia de viagem. Espero sempre me emocionar com os sons dos lugares por onde passo. Espero não criar cascas para o mundo e para as pessoas. Ojalá Buenos Aires sempre me sirva de lição de humanidade.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Namorados e espremedores de batata

Algumas coisas você precisa. Outras você apenas deseja.

Há alguns meses que penso em comprar um espremedor de batatas. Parece ser das coisas que eu preciso, já que eu sou simplesmente apaixonado por purée. Mas existem garfos em minha casa, os quais cumprem bem o papel de amassar batatas cozidas. Portanto, espremedor de batatas sai da categoria de necessidade e passa para a do desejo. Mais um exemplo: tenho um apetrecho que faz ovos cozidos ficarem cúbicos, isso sim nunca chegou a me confundir, sempre ficou no campo do desejo.

Ovo quadrado
Após alguns contratempos ocorridos recentemente, fiquei pensando o quanto que os relacionamentos também confundem as pessoas. Cheguei, mais ou menos, à mesma conclusão do espremedor de batatas: relacionamentos não são coisas sem as quais nós não viveremos. Todo mundo é capaz de viver sem namorados, noivos, esposos, ficantes etc. Fica no campo do desejo, da vontade de estar com alguém, de compartilhar bons e maus momentos, de trocar carinho com alguém conhecido, em vez de procurar novidades semanalmente. E me parece um real problema quando as pessoas confundem e sentem como se não pudessem viver sozinhas.

Talvez devêssemos pensar em namorados como espremedores de batatas: facilitam a nossa vida e desejamos tê-los, mas, a rigor, não precisamos.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Poeira, suor e Chanel.

A noite anterior tinha sido surpreendente: apesar das poucas horas de sono, estas foram bem dormidas. Repousantes, enfim, após as turbulências todas das semanas anteriores.

Ele acordou, tomou banho, arrumou o cabelo na frente do espelho, redescobrindo-se interessante. Resolveu que era dia de usar seu melhor perfume, um Chanel.

Saiu para a garagem e se deparou com o pneu furado. Trocou o pneu debaixo do sol, já forte ainda àquela hora da manhã, suou, sujou as mãos de poeira. Foi trabalhar assim, sem voltar para casa e se lavar, preferiu não se atrasar mais do que os 30 minutos perdidos com o contratempo.

Auto-estima, apesar do suor e da poeira. E o Chanel encobriu qualquer possível odor desagradável que tenha surgido.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O tempo da louça

Foram 10 dias desde aquele último almoço em casa, feito por um para nós dois.

A assadeira com sobras de molho ressecado ficou sobre o fogão todo esse tempo, acumulando germes e mágoas. Os dois pratos com os rastros escuros testemunharam, de dentro da pia, pelo menos três crises de agonia e lágrimas e soluços. O fundo dos dois copos, escurecidos pelo resto de refrigerante de mais de uma semana, juntaram formigas e provocaram dores. Talheres, intermináveis e engordurados, estiveram ali o tempo todo, observadores silenciosos do luto.

O tempo ficou suspenso naquela pia, esperando o dia de voltar a correr livremente, como todos os tempos devem ser. Finalmente correu, junto com a água e o detergente. Tristeza e perda se lava com sabão e desce pelo ralo.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sobre a composição dos relacionamentos

Existe toda uma cultura romântica, inaugurada na primeira metade do século 19, imputando a ideia de que o amor é o componente principal dos relacionamentos. Maldita Rainha Vitória que inventou de alardear que se casou por amor e não por conveniência. Maldita e mentirosa, porque todos sabemos que casamentos da realeza são sim acordos diplomáticos. Enfim.

Porém, tenho cá comigo, após diversas experiências de relacionamentos, que há algo mais valioso do que o amor. Aliás, nem vou entrar no mérito da discussão sobre o que é amor, renderia algumas dezenas de posts e comentários inconclusivos. Para a finalidade deste texto, pensemos no amor como um sentimento de gostar de estar com outra pessoa, vê-la, ouvi-la, rir e chorar junto com ela.

Pois bem, o que seria então mais importante que o tal amor?

Recapitulei, nos últimos dias, o que me manteve nos nove relacionamentos (quatro deles duraram mais de um ano) que tive e percebi o seguinte: sempre tive, pelo menos durante o namoro, profunda admiração pelo outro. Admiração sim eu me atrevo a definir: é aquele sentimento de olhar o outro e as coisas que faz/fez, diz, pensa e sente com aquela inveja boa, aquele desejo de ter para si o que o outro tem. De ser mais parecido com o outro.

Admirei muitas coisas nesses relacionamentos que tive: a determinação do outro em sair de um meio rural (tive um namorado que trabalhou em lavoura quando era adolescente e hoje é doutor pela UFPR), a paciência e a tranquilidade para solucionar qualquer problema sem precisar levantar a voz (namorei um cara que eu nunca ouvi gritar em mais de um ano e meio de relacionamento), a capacidade de se levantar após tragédias pessoais (um ex-namorado meu lutava pela sobrevivência financeira e emocional após a falência da família e a morte do pai, ocorridas praticamente na mesma época). Admirei a estabilidade financeira de um ex-namorado, na época eu me sentia um mercenário, desejando usufruir dos bens e benefícios do outro, mas no final das contas, a estabilidade era parte dele e da vida que ele levava, não é? Se é para amar alguém, amemos também suas posses.

E da mesma forma que a admiração me manteve nesses relacionamentos, quando acabou a admiração, acabou o namoro. O amor, por outro lado, permaneceu por muito tempo. Ouso dizer que, pelo menos dois ex-namorados, eu ainda amo. Admiro ainda, de certa forma, mas já sem o desejo de ter para mim ou de aprender um pouco mais sobre como ser semelhante ao outro. Desejo compartilhar sentimentos, rir e chorar junto, dizer palavras de apoio e conforto quando estão passando por dificuldades. Mas a admiração devotada, essa já se perdeu pelo caminho.

E então termino este texto com o seguinte questionamento anti-vitoriano: amor basta?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Outra chance

Nunca quis lhe prejudicar com o meu comportamento, mas sei que seus sentimentos foram feridos pelos meus erros, ah como eu sei disso! Agora, apesar de todo o calor que faz por aqui, o meu coração entrou em um inverno profundo e a única coisa que espero é que você volte e me conceda o seu perdão. Procuro você de noite e a sua ausência me dói. Sinto sua falta, misturada com a dor do arrependimento... dizer adeus, por si só, é muito amargo... mais amargo ainda é dizer adeus a você.

Eu só gostaria que você voltasse, quero sentir o calor da sua pele. Estar sem você é um sofrimento muito cruel. Sei que posso viver sem você, mas simplesmente não quero isso.

Você duvida do que eu lhe disse e não o culpo por isso. Mas ainda vive a esperança que você volte e me outorgue o seu perdão.

Me dê outra chance, para que veja o quanto me esforço para mudar de verdade. Seu amor me faz falta, dói de verdade.

Volte.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ansiedade Paroxística Episódica

Todo mundo, ou pelo menos quem lê esse blog, sabe que eu não curto mudanças de planos. Deve ser o componente autista do meu modus operandi, já que (dizem por aí) todo mundo sempre tem um pouco de cada uma das categorias F (transtornos mentais) da CID-10.

Daí que minhas férias estão super planejadas e, creio eu, serão legais. Eu mereço, sabe? Ano passado minhas férias não foram das mais interessantes não.


E eu fiz esse concurso, cujo resultado sai na sexta. É óbvio que eu não estudei, não sou do tipo que estuda e é por isso que, com mais de 30 anos, não tenho sequer um mestrado. Juliano, você é patético. Acontece que VAI QUE dá uma zebra e eu passo? Estou até imaginando como seria o choro e o ranger de dentes de ter que desfazer todos os planos de férias.

Trabalhamos muito com ansiedade antecipatória, ou F41.0.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sentimentos são só sentimentos

Daqui alguns dias fará 12 anos que conheci a pessoa com quem mantive o mais longo relacionamento da minha vida. Quase metade desses 12 anos eu passei com ele e gente: isso é muito tempo. É e não é, parece que que os cinco anos de namoro passaram em o que, uma semana? Sim, muito rápido.

O interessante é que de todos esses anos que passamos juntos, as memórias estão cada vez mais... Apagadas? Não, não exatamente apagadas. Mas é como se todo esse tempo se resumisse a flashes de imagens e uma porção de auto-regras (perdoem-me pelo termo em psicologiquês, faltou expressão mais apropriada) sobre a pessoa.

Quando paro pra pensar nesse fulano, me surgem frases (as tais auto-regras) na cabeça como "aprendemos muito juntos", "ele me ensinou a ter mais iniciativa", "ele me traiu inúmeras vezes e eu perdoei todas". Mas, de fato, as imagens dessa história se perderam. Bem como os sentimentos agregados. Não consigo sentir o que eu senti na época.

Engraçado como nós costumamos dar tanto valor a sentimentos e imagens, enquanto a experiência nos mostra que estas são as coisas que menos perduram. Somos sim animais racionais, afinal de contas.

Vão-se os sentimentos/sensações/percepções, ficam-se os pensamentos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Necessidade

Preciso encontrar sorvete de soja, não dá pra comer um pote de sorvete regularmente calórico todas as vezes que fico triste.

amor sincero, amor verdadeiro

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Dupla maldição.

Quem procura acha.

Quem acha e não gosta, se fode duas vezes.

Uma por achar e outra por ter que lidar com a culpa por ter, inicialmente, procurado.

Cansei de ser eu mesmo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Watashi wa dare ka?


"Quem sou eu?"

As convenções internacionais consideram que uma pessoa está devidamente alfabetizada quando ela é capaz de redigir uma autobiografia em resposta a essa pergunta. Mas quem sabe, exatamente, descrever-se?

De início, somos aquilo que nos ensinam que somos. E em algum momento, é esperado que nós mesmos saibamos dizer por nós mesmos o que pensamos, o que gostamos, como agimos e reagimos, quais são nossos sonhos, nossas angústias...

sepulcros caiados
Mas não sei se existe alguém tão autoconsciente a esse ponto. Escondemos nossos sentimentos de nós mesmos, mascaramos nossos desejos (e nos traímos pelas nossas ações), passamos massa corrida por todas as coisas que estão dentro da gente, tornando-nos uma parede branca, lisa. Sem nem um grafiatto ou um chapiscadinho que seja.

E dói quando esse reboco é extraído à força. Nós gostamos de ser muro branco.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fale mais alto e bem devagar


Devido a uma quantidade absurda de infecções no ouvido que tive no passado (uma delas no tão próximo ano passado), eu tenho uma perda auditiva que o otorrino gentilmente descreveu como "audição de um senhor de 50 anos". Enfim, sou meio surdo.

Problema maior em não ouvir bem é quando alguém fala algo que seria uma demonstração de cuidado, preocupação e proteção e você entende que foi uma tentativa de fazê-lo se sentir culpado.

heim?
Péssimo ser uma pessoa péssima simplesmente por ser meio surdo. Vontade de enfiar a cara num buraco no chão e pedir para todas as divindades conhecidas que chegue logo 2013 e a pessoa esqueça dos impropérios que você disse a ela. Mas né? Isso não acontecerá e você terá que apenas imaginar que está tudo bem. 

Próxima vez, fale com o rosto virado para mim, eu leio lábios. Eu acho.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Estou: mendigando seu amor

to feliz. to triste. to feliz. to triste.
Esses dias me inscrevi para participar de uma pesquisa da Harvard University sobre felicidade. É muito legal, eles mandam perguntas algumas vezes ao dia pelo celular ou por email para você responder e após 50 tomadas eles analisam quais os fatores que te deixam mais feliz. Após cada questionário é enviada uma prévia. Adivinha? Quanto mais sozinho e quanto menos eu converso ou interajo com pessoas, mais infeliz eu fico. O interessante é eu precisar me inscrever em uma pesquisa para descobrir isso. Juliano, você é patético.

Alguns dias antes eu já havia tido um surto de tristeza barra solidão e tive uma série de pequenas epifanias sobre o assunto. Anotei num bloco de notas para virar uma postagem aqui no Escritos, me senti tão old school com isso, foi legal *ryzos*

Enfim, unindo o que eu já sabia sobre mim e o que as prévias da pesquisa começaram a apontar, eu cheguei à conclusão de que tenho um profundo medo da solidão. Mas o que, exatamente, me apavora na solidão?

1- Medo que as pessoas não saibam que eu gosto de estar com elas. Sim, muitas vezes as pessoas não são más e egoístas e não se importam com o que eu sinto; às vezes elas só não sabem que eu gosto delas e de estar com elas.

2- Medo de ser esquecido. Aí sim, o egoísmo dos outros me amedronta: tenho medo que as pessoas tenham vidas super-hiper-triper-mega-ultra divertidas e coloridas e se esquecem de mim, me relegando a uma vida cinzenta e chata e preenchida por louças e roupas a lavar.

Parêntesis para um sentimento interveniente: a inveja. Tenho profunda inveja de pessoas que se divertem e não me chamam para fazer parte.

3- Medo de morrer sozinho. Tá, eu sei que isso já é demais e que tenho muito tempo para pensar nisso (eu acho). Mas sim, tenho medo de não ter ninguém para infernizar nos meus últimos momentos, ninguém que vá ficar aterrorizado depois da minha morte, lembrando da minha agonia. E, para garantir que alguém me ame o suficiente para se dispor a isso, preciso cultivar amizades e amores agora.


VOCÊ ME AMA? VOCÊ ME AMA MUITO? POR QUE VOCÊ NÃO ME AMA?

Finalizando este texto, incluo aqui uma auto-publicidade: gente, eu sou um cara legal e divertido. ME CHAMEM PARA FAZER PARTE DAS SUAS VIDAS. Obrigado.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Escritos Não Enviados

Caro Marcelo:
Eu gostava muito de conversar contigo sobre as amenidades do dia a dia, você era inteligente e sensível. Tentei te encontrar depois que passou o tumulto em casa sobre minha vida afetiva/sexual, mas perdi seu rastro. Espero algum dia ainda encontrar a foto que você me mandou, usando pantufas de monstro e segurando seu basset hound. Às vezes acho que eu poderia ter me apaixonado perdidamente por você.

Caro Marcus:
Você mentiu para mim, mas tudo bem, eu menti para você também. Sua importância na minha vida, entretanto, é clara: depois de te conhecer, tive coragem de parar de fingir ser o que não sou. Contraditório, não?

Caro Ânder:
Aprendi com você que as pessoas são capazes de falar qualquer coisa para levar alguém para cama. Lição valiosíssima, com recurso audiovisual: aprendi isso VENDO você falar para outro o que falava para mim. Você sabia mesmo como fazer alguém se sentir único e fazia isso com todo mundo.

Caro Gê:
Um ano indo na sua casa somente para sexo. Às vezes penso que isso era mais maduro do que todos os relacionamentos que tive, antes e depois.

Caro Clayton:
Eu tinha só 20 anos e nada na cabeça e você já tinha 36 e muitas coisas na cabeça. Chifres, inclusive. Desculpe-me. Eu queria ver o mundo e você queria se assentar no mundo, objetivos incompatíveis demais.

Caro Sr. Estadunidense:
Você é surpreendentemente muito parecido com meu irmão, física e emocionalmente. Sorte nossa que não deu certo, não lido bem com incesto.

Caro Homem Bom:
Foi graças à você que aprendi a arriscar na vida. E a me mexer para sair da minha zona de conforto. Obrigado e me desculpe pela pequena vingança que cometi, anos depois de terminarmos. Mas você mereceu.

Caro Loirinho:
Você foi, de longe, o melhor namorado. Em quase todos os aspectos. Ainda me sindo absurdamente mal por ter, sem muitos motivos, terminado contigo. Espero que o perdão que você me dispensou, no reveillon 2009/2010, seja sincero, eu preciso disso para me perdoar também.

Caro Cabeção:
Desculpe-me por não conseguir ser teu amigo depois de terminarmos. Quer saber? Não precisa me desculpar não, muitas outras pessoas concordam que você não é lá grandes coisas como amigo também, assim como não foi enquanto namorado. Mas você tentava, pelo menos. Continue tentando. Ah, e pare de me mandar emails religiosos (se bem que eles caem na caixa de spam mesmo).

Caro Loirão:
Meu desejo sincero é que você sofra. E pelo amor de Santo Aurélio Buarque de Hollanda: APRENDA A FALAR CERTO.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Experiência antropossádica com um vegetariano


Foi uma super maldade o que eu fiz com um mocinho vegetariano numa vernissage que eu fui.

Mocinho: (olhando meu prato cheio de salame) tadinho do porquinho, mataram ele vivo!
Eu: (sem saber que ele é vegetariano e achando que era só uma tosca piada estilo pavê-ou-pacomê) é, geralmente tem que estar vivo para matar e fazer salame.
Mocinho: (sai horrorizado com a minha insensibilidade).


Depois eu vi o mocinho infernizando outras pessoas, perguntando se aquilo na bandeja era bolinha de queijo ou de frango com requeijão. Triste vida dos vegetarianos nesse país.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Murmúrios do Sena

Ela entrou na sala de atendimento. Uma senhora acima dos 40 anos, ainda jovial e sem toda a pompa que mulheres da sua idade muitas vezes insistem em ostentar. Foram 50 ou 55 minutos de conversa, com a mulher expondo seus sofrimentos, típicos da meia idade: uma vida toda dedicada à família, a sua e as dos outros, em casa ou nas igrejas que frequentou ou nos empregos que teve, para que ninguém lhe dê o valor que julgava ter. Como se o mundo fosse composto por ingratos e por pessoas que se aproveitam da dedicação e da bondade dos outros.

Nesse momento, toca uma música no aparelho de som: um noturno de Chopin, talvez o mais conhecido deles, o nº 2 do opus 9, apelidado postumamente de "Murmúrios do Sena". Muitos filmes e novelas já utilizaram essa obra, muito lírica e carregada de sentimentos; em uma novela, a personagem lança na Baía da Guanabara o piano, no qual costumava executar o noturno, sepultando no mar uma vida de sentimentos chopinianos.

Inevitável que o terapeuta relacione a música ao drama da sua atendida. E ao seu drama. É inexplicável isso, mas é como se o seu próprio sentimento de tristeza e vazio não tivesse importância, só o da jovem senhora à sua frente. Mas, mesmo não sofrendo seu sofrimento, ele lembra que o danado do sentimento existe.

Os sentimentos passam, não ficam armazenados em algum lugar obscuro do cérebro humano, fato. Mas eles voltam, eles teimam em voltar. Se não na sua forma original, pelo menos na forma de lembrança, a incômoda lembrança de que algo mais ou menos conhecido não vai bem. É fácil abafar os sentimentos, muito fácil.

Só, talvez, não seja saudável. Nem sensato.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre conversas por telefone


Irmão:  olha, honestamente eu prefiro isso a qq outro meio
pour ceux qui sont proches
 eu: eu gosto de mensagem
dá pra editar
Irmão:  bom mesmo era se tudo na vida fosse editável
bom mesmo era dar ctrl-z nalgumas coisas da vida real
Irmão:  "deseja salvar alterações?" NÂO
 eu:  naa... tem coisa que a gente precisa cagar pra aprender a editar depois
Irmão:  tem coisas que a gente precisa salvar, para não contar para ninguem, porque estão todos ocupados cada um contando suas coisas
 eu:  vdd

♥ Filosofias neo-posmodernas de vida com meu irmão 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Retenção / Expulsão

Não sei qual é o problema em refazer planos. Digo, não sei qual é o MEU problema em refazer planos.

Remarquei minhas férias, reduzi de 30 para 20 dias para este ano e deixei 10 dias para tirar em outra época. Doeu, sabe?

Porque nesses 30 dias, originalmente, eu viajaria pra um lugar que eu adoro. Tá, agora vou pra casa da minha mãe nesses 20 dias e isso é legal, família, saudade etc.

Nem é pelo adiamento dos planos de viagem nem nada. É só o apego aos planos.

E isso porque EU SEI que planos podem e devem ser revistos, readequados, não são contratos imutáveis nem nada, pelo amor do senhor shiva. Devo ter problemas na fase anal e não consigo me livrar das minhas produções, igual menino que precisa do ritual de se despedir do cocô antes de dar a descarga.

R.I.P. cocozinho
E olha que nem psicanalista eu sou, vejam vocês eu apelando pro blablabla velho gagá e tarado Freud.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vou mudar o nome do meu blog

Vai ser "Sonhos estúpidos do Juliano".

Sério, tenho me assustado demais com a qualidade dos sonhos que tenho. Com a quantidade nem tanto, porque eu já sabia que isso era efeito colateral de uma medicação que tenho tomado. Mas olha, nem se eu estivesse usando LSD eu teria sonhos como os de hoje.

Então tá, eu estava correndo em um parque que poderia ser o Parque do Ingá, na cidade que morei antes daqui. Aí, sem mais explicações, eu não estou mais correndo e na verdade estou levando meu animal de estimação passear que, por acaso, é um dromedário.

Isso, um dromedário. Aquele camelo com uma corcova só e com nome guei.

Não bastasse eu estar passeando de boas no parque com meu dromedário, encontro uma prima minha que mora há muitos anos em Fortaleza e está voltando esse mês para o Paraná. Aí ela me pergunta:

- Ju, o que você fez com o Gaspar?

(Gaspar: nome do pudel branco standard que minha tia, mãe dessa prima, me deu quando eu tinha sabe quanto? Dez anos)

- Ai, Lou, nem lembro mais... acho que vendi ou morreu ou CRESCEU E VIROU UM DROMEDÁRIO.

- Ah, legal. Um cheiro, primo!

pudel standard

dromedário. igualzinho não é, gente?














Sabe o que é sentir medo da minha própria mente. Então.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Blé

Você faz uma brincadeira. Com tom de brincadeira e tudo, para que pareça mesmo que é uma brincadeira. Mais claro do que isso só se avisasse antes: "olha, vou fazer uma brincadeira". O outro acha ruim.

Você diz: "foi uma brincadeira".

E a outra pessoa continua achando ruim.

Aí agora é você que acha ruim porque o outro achou ruim ou porque não entendeu que era brincadeira ou entendeu mas mesmo assim achou ruim. E o outro sai sem entender nada, achando que você o chamou de vilão.

Todos acha ruim. Todos é vilão.

Seres humanos, blé.

terça-feira, 20 de março de 2012

Receita para se livrar de um corpo

Você vai precisar de: muitos metros de papel alumínio.

O sonho ridículo dessa noite envolveu a mim, um cadáver embrulhado em papel alumínio no porta-malas do carro e uma pessoa que lembrava muito meu terapeuta.

Eu tinha um utilitário esportivo com porta-malas que cabia uma pessoa deitada dentro. Cheguei à uma praia e tentei resolver o problema da desova do corpo no papel alumínio, inutilmente: muitas pessoas passando pelo calçadão da praia, fazendo caminhada, carregando seus cachorros e carrinhos de bebê. Eu e essa pessoa que lembrava meu terapeuta encostados no carro, braços cruzados, pensando sobre a situação enquanto ele dizia:

"O jeito é aqui mesmo, ninguém vai reparar" (e meu pensamento no sonho era 'ok, ninguém vai reparar num cadáver EMBRULHADO EM PAPEL ALUMÍNIO, ok')

Ninguém vai reparar em mim *ryzos*

"O teu problema, Juliano, é que você não acredita em uma proteção maior" (ARRAM, ALGO OU ALGUÉM VAI FAZER COM QUE ESSAS DEZENAS DE PESSOAS NA PRAIA NÃO VEJAM  DUAS PESSOAS DESOVANDO UM CADÁVER.EMBRULHADO.EM.PAPEL.ALUMÍNIO, ARRAM) "igual você já escreveu no seu blog uma vez..."

Tem uma coisinha brilhante no seu carro.

Olha, não sou mesmo desse tipo de pessoa que dá moral para sonhos. E de fato, este sonho não me deixou triste ou angustiado ou chateado nem nada, acordei dando risada até. Só fico pensativo sobre minha sanidade mental ao ter sonhos desse tipo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quatro conceitos vicariantes


MUDITA
SCHADENFREUDE
INVEJA
COMPAIXÃO


Mudita: conceito budista, estado de espírito experimentado quando se sente prazer pelo outro sentir felicidade ou contentamento.


Inveja: sentimento de raiva, desprazer ou ódio pela felicidade do outro.


Schadenfreude: do alemão Schade, estrago ou adversidade, e Freude, prazer. Satisfação com a desgraça alheia.


Compaixão: sentimento de raiva, desprazer ou ódio pela infelicidade do outro.


A Língua Portuguesa e sua dificuldade em conceituar o altruísmo... e em assumir seu sadismo...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher

Nada de flores, nem de bombons, nem de cartões. Dia das Mulheres é um dia de luta.

Luta contra a desigualdade de direitos entre os gêneros. Contra a diferença de poderes: "isso uma mulher pode, isso só um homem pode". Contra o rebaixamento dos símbolos de feminilidade, sejam eles ostentados por homens ou mulheres. 

(Parêntesis para falar sobre homofobia: um homem também pode ostentar símbolos de feminilidade e uma mulher pode abdicar deles, se assim quiserem ou se sentirem à vontade. E ter relacionamentos afetivos e sexuais com pessoas do mesmo gênero não deve ser entendido como sinal de "sexualidade cruzada". E heterossexualidade não é o caminho natural, é um dos possíveis caminhos e todos são naturais)



É dia de levantar a voz e dizer que todos somos dignos de respeito. Que não é necessário se contentar com os papeis sociais e de divisão de trabalho que a sociedade insiste em imputar.

É dia de não querer ser tão bonita como a modelo ou a atriz. Ou é dia de querer ser sim bonita como a modelo ou a atriz, porém tendo consciência de que isso não é necessário. Ser mulher não é escolhido. Ser feminina pode ou não ser uma escolha.

Mulher não "pensa com o coração". Mulher pensa. Mulher decide. Mulher escolhe. Tal e qual os homens. Tratar mulheres como bonecas ou princesas, frágeis, dóceis e sentimentais, é tratar mulheres com condescendência: "deixa ela, pobrezinha, pensar que é esse o seu único poder"...

Mulher luta.

Parabéns não por ter "nascido mulher". Parabéns por ter "nascido ser humano".

segunda-feira, 5 de março de 2012

(Des)apego (des)necessário ou (im)possível

Numa tentativa parcialmente frustrada de faxinar a casa, retirei do quarto uma jaqueta de couro que mofou, como várias outras coisas que já mofaram desde que me mudei pra essa cidade de clima monçônico.

À parte da sensação horrível que é jogar um produto estragado que custou algumas horas do suor do rosto, outros sentimentos e pensamentos se apoderaram de mim.

Fiquei triste, de verdade. Lembrei do dia que comprei a jaqueta: estava com uma grande amiga, a colega blogueira "diretora" do Sentimentos aos Pedaços, passeando na cidade argentina de Puerto Iguazu, e entramos numa das várias lojas de couro e lã. É sério, a jaqueta falou comigo. Y en español misionero, ainda por cima. Não tive como não adquirir este pequeno pedaço de pele de vaca deliciosamente curtido e ainda a um preço muito convidativo (cerca de R$350,00 na época).

Loja de couro e lã em Puerto Iguazu

E essa viagem à Puerto Iguazu foi uma das mais legais que eu já fiz, só eu e minha amiga; ela passava por umas barras na vida dela e fomos viajar com intuito de ela se sentir mais alegrinha... foram dias lindos...

E com essa tristeza em me desfazer da jaqueta, mais uma vez aflorou toda a dificuldade que eu tenho em me apegar demais a coisas e pessoas. Cada um dos objetos que hoje fazem parte da minha vida tem uma história. E cada história é parte de como eu sinto, como eu penso, o que eu valorizo. Resumindo: cada uma das minhas poucas posses é um fetiche que me lembra quem eu sou.

Desfazer-me de símbolos do meu passado é algo como desfazer-me de mim mesmo. Dói.

Eu sou a minha história.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Bububu

Mais uma crise de choro na yoga ontem. Dessa vez na minha mente, a imagem da minha mãe e do meu irmão mais novo. Até quando?

Semana passada, em um momento-joga-na-cara, me disseram que sou um filhinho da mamãe que qualquer coisa é bububu tô com saudades dela bububu.

Pequeno menino Jux com seis meses. Já pode voltar a essa idade?

Devo ser. E talvez eu deva me aceitar assim.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Se allah lhe lançar uma tâmara, coma. Ou reclame para toda a vida.

Daí que ontem foi meu aniversário. O 33º deles.

Como foi?

Dormi até tarde. Almocei fora, comida legal. Dormi de tarde. Jantei fora, mais comida legal com bebida legal.

Tâmaras secas

Coletei as parabenizações nas redes sociais, algumas foram simples.duas.palavras, outras foram complexos.textos.que.me.emocionaram. Sem a obrigatoriedade de ser feliz, sem o peso de dever ser triste. Foi um aniversário maduro, eu diria.

Se eu esperava mais? Talvez. Não que o que eu tive tenha sido ruim. Mas o demônio da instatisfação me persegue há três décadas. Eu sempre espero mais, sempre. Só que estou aprendendo a não cobrar aquele um pouco a mais que falta. Ou o muito a mais que falta.

Até que ponto isso é legal? Não sei. Não sei mesmo. Me sinto desistente da vida com essa postura de apenas aceitar o que souberem oferecer. Ainda não cheguei ao ponto de aceitar as tâmaras que allah me manda sem reclamar que queria uma torta inteira com nozes e mel também.

Bolo de tâmaras com nozes e mel

Tenho minhas dúvidas se chegarei a esse ponto, se nasci para me contentar com tâmaras secas jogadas na minha cabeça.